A esperança (d)e nós

A esperança (d)e nós

O tempo que fico na internet divido entre fazer trabalho da faculdade, ver as novidades nas redes sociais, matar saudade dos meus amigos distantes por MSN e ler blogs. Entre um site e outro encontrei sem querer esse texto de um jornalista chamado Ruleandson do Carmo que me deixou meio sem ar e me fez pensar “eu já passei por isso”.

Esperança. Esperança mais do que amor. Não era paixão, ainda não era um desejo incontrolável, estava longe de ser qualquer tipo de “amor da minha vida”. O que eu sentia por você era esperança. O que você significava para mim era a esperança de felicidade, felicidade eterna, momentânea, não importa, você era a minha esperança, uma promessa daquelas que a gente mesmo se promete e não conta para ninguém, mas ainda não era amor. O problema (é um problema?) é que eu sou intenso. Você vai achar que eu faço drama, mas drama é fingir que sente o que não sente e eu não, eu sinto mesmo. Sou tão intenso que mesmo que eu sinta só esperança eu vou sentir tanto que você vai achar que eu te amo, mesmo sem a gente nem se conhecer direito. Mas sentir hoje em dia é perigoso. Em um mundo e em um tempo no qual a sensação basta, o sentimento afasta. Só que depois que você tem seu coração partido uma vez e aprende que ele continua batendo, não existe mais medo de amar. Pode até haver um medo de ser amado, mas de amar não: amar é nosso, ser amado é do outro, e só nos compete o que é nosso. Então eu sentia por você só uma vontade de que não fosse só hoje, de que tivesse um amanhã, de que pudesse ficar uma hora a mais além do planejado, de que pudesse sobrar algum espaço na agenda para me encaixar. E eu sentia sobretudo vontade de te ver feliz, com aquela esperança, silenciada em meus sorrisos, de que eu pudesse fazer parte. É isso, eu sentia esperança por você e eu queria fazer parte, não sei do quê, não sei se da sua vida ou se pensava em uma vida nossa, mas eu queria fazer parte. Sei que nem te beijei, mas eu tenho essa capacidade de sentir esperança por quem me encanta. Você me encanta, me dá vontade de abraçar, de ter por perto, de tocar, de ser feliz. Me aperta o desejo de guardar no bolso sua foto, como um mapa de um lugar para o qual eu posso fugir quando tudo der errado (e quando tudo der certo também). Eu gosto de você, mas eu não queria te namorar, não ainda, não agora, não sei se sempre, nem se talvez nunca. Eu queria que continuasse, só que sem fazer de você uma única chance de ser feliz, a esperança era de ser mais feliz por você estar aqui também, não só por você. É esperança, é te querer, mas sem desespero. Desespero no amor é isso, desesperar, deixar de esperar por quem vale a pena, quando vale a pena. Parece que eu te afastei, mas a esperança continua. A esperança ficou e a pergunta também: quanto o mundo ficou mais triste desde que deixamos de ser felizes juntos? Quanto futuro feliz se perdendo em passado durante um presente que não se consegue mudar. Então agora eu já sei o que responder quando perguntarem: “é amor ou amizade?”, vou dizer “é esperança”. E eu espero com a certeza de que esperançar parece às vezes tão mais livre, bonito e completo do que amar.

A velhinha e suas velas

A velhinha e suas velas

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Poderia ser numa igrejinha do interior ou numa basílica enorme. Qualquer templo ou catedral há crianças, adultos e velhos, velhos animados que cantam ou velhas tristes que choram. Assim começo minha história numa terça-feira nublada de abril.
Às 15h01, nem um minuto a mais ou a menos, entrei numa igreja que não conhecia. Às 15h12, depois de olhar todos os quadros da parede, reparar no carpete e no teto pintado, me sentei perto de uma velhinha. Não havia ninguém mais além de nós.
Um tempo se passou, exatamente 3 minutos. A velhinha se levantou, pegou algumas moedas, colocou numa caixinha, apertou um botão. As luzes das velas artificiais se acenderam e ela voltou a se sentar. A  cada 3 minutos a senhorinha repetia a ação, nem um minuto a mais ou a menos. Quando as luzes se apagavam, ela colocava mais moedas na caixa, sentava-se e orava. . Foi assim durante todo o tempo que estive lá e foi assim todas as vezes que entrei  às 15h01 na igreja e sentei ao seu lado as 15h12.
Com o tempo percebi que ela sempre tirava moedas iguais, sempre do mesmo bolso do mesmo vestido azul da cor do céu.
Não tenho noção do por quê ela fazia aquilo e também fiquei com medo de perguntar, mas uma coisa tenho certeza, que velhinha metódica, hein !

Bem me quer

Bem me quer

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Uma vez ouvi alguém dizer que solteiros são pessoas a procura de um par. Eu concordo!
Por mim agora estaria deitada na cama falando besteiras, ouvindo musica e dando gargalhadas com o amor  da minha vida. Por mim estaria andando na beira da praia e olhando para o céu azul de final de verão ou no cinema assistindo um filme bobo.
Eu seria feliz, não estou querendo dizer que não sou, mas eu seria feliz de uma forma diferente, talvez mais feliz e completa.

Não acredito em pessoas que vivem anos sozinhas e se defendem dizendo que não precisam de ninguém, eu não consigo entendê-las.
Eu preciso sempre de alguém, preciso daquele abraço de bom dia, do beijo no final da tarde, da ligação surpresa e de saber que alguém gosta de mim.

Ah, como é bom ser amada, saber que tem alguém que quando pensa em fazer qualquer coisa você é a primeira que ele lembra. Como é bom saber que o mundo pode acabar amanhã, mas você tem aquela pessoa que vai te querer mesmo assim.
Ter aquela companhia pra fazer as coisas mais legais e chatas e ainda ganhar beijos e amassos no meio disso tudo.

O amor às vezes dói, às vezes machuca, mas é lindo. O amor nos domina, nos faz ficar mais fortes, criam esperanças e borboletas no estomago. Sem ele não haveria o nervosismo do primeiro encontro, coração palpitantes e rostos vermelhos de vergonha.

Os solteiros se dizem felizes, os compromissados se dizem apaixonados, e eu digo que estou a espera. A espera da minha vez de pular pela casa por causa de um telefonema, de pensar em desculpas  pra encontrar alguém, de brincar de bem-me-quer, mal-me-quer  com a margarida e dar positivo.

Não adianta virem com milhões de argumentos contrários ao que eu disse, porque não adianta o que falem, todo solteiro quer um dia se apaixonar.