Os casos do acaso

Os casos do acaso

 

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Quantos meses se passaram desde a ultima vez que nossos olhos se trocaram? Quantas ligações perdidas ocorreram desde a primeira troca de números?

Milhões, mas que agora não fazem mais importância alguma.

Poderia ser qualquer um, mas era você que estava lá me esperando na nossa ultima tentativa de fazermos algo certo.

Sem juras, sem promessas, nem expectativas.

Você escolheu seu tempo, domou a vencedora do prêmio “a mais ansiosa do ano” de 1998 e a surpreendeu, daquele jeito que só você sabe surpreender alguém. E no outro dia quando acordei, naquele verão típico carioca, tudo se confundiu. Eu já não sabia o que tinha sido real ou sonho, acho que foi um pouco (minto, foi muito) dos dois. E se eu fosse refazer tudo seria exatamente como foi.
 Foi tão natural, tão a gente (a gente, a gente, a gente) que agora a única frase que me vem à cabeça quando penso em nós é uma de Antonio Prata que diz:

 “Tudo que sabemos agora é que eu te quero, você me quer e temos todo o tempo e o espaço diante de nossos narizes para fazer disso o melhor que pudermos.”

Ah, como esse agora é bom!

Apostas

Apostas

Essa noite dormi tranquila, com um sorriso no rosto e sonho solto. Não faço ideia do que esperar de 2013, mas sei exatamente o que posso esperar de mim no próximo ano. Fui dormir com a sensação de que tudo vai se ajeitar, que acontecerão coisas maravilhosas.

Mal sei seu nome, mas quero realmente que ano que vem você esteja nele.Talvez você nem seja a minha solução, mas pode ser uma parte boa das minhas gargalhadas.

Sabe esse encantamento espontâneo, que surge quando a outra pessoa fala algo bobo e a gente gosta, acha graça e se pega com os olhos brilhando? Ou quando percebemos que a pessoa está interessada no que você está falando, mesmo que seja sobre sua rotina estressante?
Pois é, eu encontrei todas elas em você.
É estranho se ver naqueles filmes românticos de amor a primeira vista. Ah, se o amor fosse assim simples e suave como aquele nosso abraço de despedida.

Acredito, sim, acredito ..

Não no amor que existe na primeira troca de olhar, mas no “ nossa, já passou horas e nem percebi”, e o mais incrível, acredito que posso apostar na gente, em mim e no mundo.

 
apostas

Não ameis a distância – Rubem Braga

Não ameis a distância – Rubem Braga

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Em uma cidade há um milhão e meio de pessoas, em outra há outros milhões; e as cidades são tão longe uma da outra que nesta é verão quando naquela é inverno. Em cada uma dessas cidades há uma pess
oa, e essas pessoas tão distantes acaso pensareis que podem cultivar em segredo, como plantinha de estufa, um amor a distância?

Andam em ruas tão diferentes e passam o dia falando línguas diversas; cada uma tem em torno de si uma presença constante e inumerável de olhos, vozes, notícias. Não se telefonam mais; é tão caro e demorado e tão ruim e além disso, que se diriam? Escrevem-se. Mas uma carta leva dias para chegar; ainda que venha vibrando, cálida, cheia de sentimento, quem sabe se no momento em que é lida já não poderia ter sido escrita?

A carta não diz o que a outra pessoa está sentindo, diz o que sentiu a semana passada… e as semanas passam de maneira assustadora os domingos se precipitam, mal começam as noites de sábado, as segundas retornam com veemência gritando – “outra semana!” e as quartas já tem um gosto de sexta, e o abril de de-já-hoje é mudado em agosto…

Sim, há uma frase na carta cheia de calor, cheia de luz; mas a vida presente é traiçoeira e os astrônomos não dizem que muitas vezes ficamos como patetas a ver uma linda estrela jurando pela sua existência – e no entanto há séculos ela se apagou na escuridão do caos, sua luz é que custou a fazer a viagem? Direis que não importa a estrela em si mesma, e sim a luz que ela nos manda; e eu vos direi: amai para entendê-las!
Ao que ama o que lhe importa não é a luz nem o som, é a própria pessoa amada mesmo, o seu vero cabelo, e o vero pêlo, o osso de seu joelho, sua terna e úmida presença carnal, o imediato calor; é o de hoje, o agora, o aqui – e isso não há.

Então a outra pessoa vira retratinho no bolso, borboleta perdida no ar, brisa que a testa recebe na esquina, tudo o que for eco, sombra, imagem, um pequeno fantasma, e nada mais. E a vida de todo dia vai gastando insensivelmente a outra pessoa, hoje lhe tira um modesto fio de cabelo, amanhã apenas passa a unha de leve fazendo um traço branco na sua coxa queimada pelo sol, de súbito a outra pessoa entra em fading um sábado inteiro, está-se gastando, perdendo seu poder emissor a distância.

Cuidai amar uma pessoa, e ao fim vosso amor é um maço de cartas e fotografias no fundo de uma gaveta que se abre cada vez menos…
Não ameis a distância, não ameis, não ameis!