Sonhar

Sonhar

  

No passo perfeito a bailarina dança.
No ritmo certo o musico canta.
Na hora inesperada o telefone toca.
Se o sol beija o mar,
se o relógio desperta sem errar,
e as estrelas somem sem chorar.
Por que eu não posso
te amar?

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Borboletas

Borboletas

Quando olho para o chão
vejo o mar beijando meus pés.
Quando olho para o céu, num intenso azul
vejo as nuvens formando imagens da minha infância.
Estou em uma mudança
não sou menina, nem mulher
Mas corro pela praia deserta a sua procura.
E você está no lugar de sempre,
onde nunca poderei alcançar.
Não posso partir,
não posso chegar,
mas você me diz que pode esperar
eu aprender a voar.

O salto

O salto

A gente não tem como saber se vai dar certo. Talvez, lá adiante, haja uma mesa num restaurante, onde você mexerá o suco com o canudo, enquanto eu quebro uns palitos sobre o prato — pequenas atividades às quais nos dedicaremos com inútil afinco, adiando o momento de dizer o que deve ser dito. Talvez, lá adiante: mas entre o silêncio que pode estar nos esperando então e o presente — você acabou de sair da minha casa, seu cheiro ainda surge vez ou outra pelo quarto –, quem sabe não seremos felizes? Entre a concretude do beijo de cinco minutos atrás e a premonição do canudo girando no copo pode caber uma vida inteira. Ou duas. Passos improvisados de tango e risadas, no corredor do meu apartamento. Uma festa cheia de amigos queridos, celebrando alguma coisa que não saberemos direito o que é, mas que deve ser celebrada. Abraços, borrachudos, a primeira visão de seu necessaire (para que tanto creme, meu Deus?!), respirações ofegantes, camarões, cafunés, banhos de mar – você me agarrando com as pernas e tapando o nariz, enquanto subimos e descemos com as ondas — mãos dadas no cinema, uma poltrona verde e gorda comprada num antiquário, um tatu bola na grama de um sítio, algumas cidades domesticadas sob nossos pés, postais pregados com tachinhas no mural da cozinha e garrafas vazias num canto da área de serviço. Então, numa manhã, enquanto leio o jornal, te verei escovando os dentes e andando pela casa, dessa maneira aplicada e displicente que você tem de escovar os dentes e andar ao mesmo tempo e saberei, com a grandiosa certeza que surge das pequenas descobertas, que sou feliz. Talvez, céus nublados e pancadas esparsas nos esperem mais adiante. Silêncios onde deveria haver palavras, palavras onde poderia haver carinho, batidas de frente, gritos até. Depois faremos as pazes. Ou não? Tudo que sabemos agora é que eu te quero, você me quer e temos todo o tempo e o espaço diante de nossos narizes para fazer disso o melhor que pudermos. Se tivermos cuidado e sorte – sobretudo, talvez, sorte — quem sabe, dê certo? Não é fácil. Tampouco impossível. E se existe essa centelha quase palpável, essa esperança intensa que chamamos de amor, então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos em pleno ar. Talvez nos esborrachemos. Talvez saiamos voando. Não temos como saber se vai dar certo — o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão –, mas a vida não tem nenhum sentido se não for para dar o salto.

  ( Antonio Prata )

Em troca de uma amizade

Em troca de uma amizade

 

Durante uma conversa de final de aula com uma amiga, ela fala a seguinte frase “Nossa, nós somos tão parecidas…”. Eu estava realmente feliz por isso, ate ela completar com “Mas claro que não em tudo, tem horas que a gente não concorda e cara, aquilo que você fez. nooossa, eu nao teria coragem”. E eu fiquei mais feliz ainda por isso.
 Temos a mania de querer ser perfeitos, e conseqüentemente, ter amigos perfeitos, no nosso primeiro item da lista vem: AMIGOS IGUAIS A GENTE
 Precisamos nos identificar com eles, entende-los, confiar, ouvir, gostar. Amigos não são pra isso?
 Por muito tempo, procurei os amigos perfeitos, aqueles que estariam ao meu lado, eu poderia ligar a qualquer hora e saberia que depois de uma crise de TPM, estariam com um sorriso estampado no rosto. Bem, no meio dessa procura, ganhei e perdi amigos com certa facilidade (não sou a melhor pessoa para se lidar e obrigada a todos que ainda me agüentam).
 Quando decidi parar, e aceita-los como são percebi as pessoas fantásticas que conheci e que para ter uma amizade não precisávamos gostar da mesma banda ou tipo de roupa, que mesmo tendo somente em comum gostos óbvios como “odiar segundas-feiras” ou “gostar de feriados” poderíamos ser pessoas inseparáveis.
O perfeito pra mim pode ser o errado pra você, a minha escolha pode ser a sua fuga, mas a amizade sempre será o que teremos em comum.

Desse jeito

Desse jeito

 

  Está bom assim, to fazendo um novo recomeço pra mim, e não vou olhar pra trás nem pensar no que perdi com essa escolha, quero só olhar pra frente e ver o bom que posso tirar disso.  Não quero pensar no fim, estou somente no principio e tenho uma longa caminhada pela frente. Sinceramente, não quis mudar, mas foi preciso. Estava bom daquele jeito, você implicando com meu vestido e eu com suas calças velhas, os encontros de fim de tarde, o por de sol à beira mar e os beijos demorados nas quartas nubladas. Será que foi tão difícil pra você me aceitar do jeito que sou? Será que você precisava acaba com todos os nossos planos? Pra me esquecer foi tão simples quanto aquele adeus? Cadê o sentido das cartas e serenatas? Por que não podemos ser felizes juntos? Por quê? Por quê?
Acontece que agora pouco importa você não estar mais aqui. Eu disse que não iria olhar para trás e essa é uma promessa que devo cumprir.

Se um dia …

Se um dia …

Se um dia você me olhar como eu te olhei
talvez eu volte
Se um dia você me beijar como eu te beijei
talvez eu volte
Se um dia você me ouvir como eu te ouvi
talvez eu volte
Se um dia você me amar como eu te amei
 talvez eu volte

Ou talvez não, até lá estarei muito longe de você!

Entre o tudo e o nada

Entre o tudo e o nada

 

  Você me consome do corpo à alma e, me possui, tanto que não sei como escapar, tanto que me vicio em cada gesto seu. Tento parar, isso não me faz bem. Mas como conseguir se você me dominou, se o teu calor é a minha fonte e seu ar minha respiração.
Tola, inútil, é o que me sinto agora para você. Ontem era seu tudo, hoje sou seu nada. Em outros planos vou ficando, jogada de lado como uma roupa usada, esquecida em um sonho e livros na estante. Não importe o que você fale, suas palavras e ações não coincidem. E nessa duvida constante, nesse talvez errante, eu vou vivendo em torno de você.