Os anos e seus rumos

Os anos e seus rumos

Saí de casa com a intenção de espairecer, ver as pessoas na rua, comprar algum objeto novo pro meu quarto (e depois me arrepender). Me arrumei mais do que o normal, decidi sair sem o conjunto “blusa + calça jeans+ all star” de todo dia.Depois que li num livro de auto-ajuda que eu poderia encontrar o homem da minha vida até na padaria da esquina,  não acho justo logo nesse dia, eu estar de moletom e descabelada como se estivesse acabado de acordar.
Fui à rua me achando poderosa e mais feliz do mundo, até as flores tinham um tom diferente.
Realmente, estava tudo diferente, dentro e fora de mim,  o último corte no meu coração foi mais doloroso que os outros e eu sentia que precisava superá-lo rapidamente.
Quando percebi já estava dentro de uma livraria, folheando vários livros e recebendo olhares raivosos dos atendentes, “Quem essa menina acha que é pra tirar todos os livros de lugar?” deviam pensar. Incrível como meu mundo para quando entro em uma livraria, é como se eu saísse do caos do mundo real e entrasse em um lugar onde todos os sonhos estão guardados e querem um final feliz.
Mas como eu não posso morar numa livraria ainda (um dia terei uma só pra mim) em poucos minutos já havia saído do conto de fadas e voltado pra barulheira, bagunça e sufoco das ruas.
Mas quando estava decidida a voltar pro meu quarto e pesquisar sobre algumas coisas desnecessárias na internet, eu vi você.
Pensei que nunca mais ia te ver, 7 anos longe pra quem tem quase 20 é bastante coisa. Mas você continuava o mesmo, só mais velho e com barba. Como assim barba? Quando nos separamos você era viciado em PlayStation 1.
7 anos, como as coisas mudam em 7 anos. Eu não sou mais aquela garotinha que escrevia bilhetes no caderno das amigas e você não é mais o camisa 10 da escolhinha de futebol da escola. Hoje, já sou uma adulta com responsabilidades e contas a pagar que já se machucou por amor e não confia em qualquer homem que aparece na sua frente.
Mas no momento em que te vi atravessando a rua correndo, me abraçou e disse “Que saudade, quanto tempo gente não se vê” eu voltei aos meus 12 anos.

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