Sobre amores e dores

Sobre amores e dores

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Em um dia de domingo eu fiz a pergunta que nenhum apaixonado imagina fazer ”Você quer que eu te espere ou vá embora?”. Eram só duas opções, um eufemismo fofo para o famoso “vai ou fica” e você respondeu exatamente aquilo que eu não queria escutar.

Foi preciso, eu tinha que ouvir aquela resposta que me deixou com uma tristeza no peito e um cinza no céu. Achei que doesse mais, que eu borraria o rímel pela milésima vez, mas com o tempo eu aprendi que se lamentar não resolve nada.

Peguei minhas malas imaginárias, as fotos nunca tiradas, aquele livro que compramos juntos que ainda não terminei de ler e fui embora. Bati a porta bem no tempo entre o seu “sinto muito” e “adeus”.

A cada passo me sentia mais estranha, mas não era por sentir a sua falta, não era pela perda. As palavrasnão pesavam tanto quanto da última vez, minha maquiagem estava intacta e meu vestido ainda balançava com o vento.

Eu continuava andando pela rua, eu ouvia os passarinhos cantando e as crianças brincando. Deixei a mala debaixo de uma árvore, levei o livro comigo e quando me vi estava em outro lugar, num outro eu.

A pergunta que há 1 hora me fazia descer correndo as escadas e mal cumprimentar o porteiro, agora era a  melhor coisa que eu poderia ter escutado de você. Porque é melhor um amor acabado do que um mal começado.

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